Sonhos e homeopatia ou como lembrar dos sonhos

Olá leitores do blog Farmácia Natural, tudo bem? Hoje trazemos um artigo especial para vocês, o primeiro de uma série que será elaborada por alguns profissionais de saúde de diversas áreas.

Este artigo foi elaborado pelo doutor Ben-Hur Dalla Porta, que é médico homeopata, ex-presidente e atual diretor científico da Liga Homeopática do Rio Grande do Sul (LHRS), sobre o tema: sonhos e homeopatia. Interessante, não? Sintam-se a vontade para fazer perguntas e tirar dúvidas. Boa leitura!

Sonhos e homeopatia ou como lembrar dos sonhos*
pelo Médico homeopata Ben-Hur Dalla Porta**

Sonhamos pelo menos quatro a cinco vezes por noite. Entretanto, podemos passar vários anos sem sequer lembrar de um sonho. Os sonhos – imagens do inconsciente, muitas vezes traduzem em linguagem simbólica as dificuldades que passamos “nesta travessia”. Outras vezes podem resultar na solução encontrada por nossas conexões não-conscientes para problemas, incompatibilidades, angústias etc.

Em homeopatia, assim como em psicanálise, é importante lembrar dos sonhos. Não para interpretar, o que se costuma fazer racionalmente num processo psicoterapêutico, ou mais informalmente, seja em manuais de auto-ajuda ou numa tentativa de autoconhecimento. O sonho, do ponto de vista da homeopatia, é mais um sintoma. Grande é sua importância e hierarquia para a descoberta do medicamento mais adequado. Pode ser a expressão dos sonhos em relação a medos desconhecidos ou desejos inconfessáveis, mas é especialmente considerado se repetitivo ou muito marcante. Muitas vezes pode ser a representação simbólica do que o paciente tenta nos dizer em seu relato ou a tão almejada síntese (leit motiv) de seu sofrimento.

Lembrança onírica

Muito pouco se sabe ou se escreve sobre técnicas para lembrar dos sonhos – esses importantes instrumentos para o entendimento da mente humana. Tenho vaga lembrança (como um sonho distante, perdido nos corredores de minha memória de adolescente) da leitura (dinâmica) de um livro que descrevia uma técnica para trazer à consciência essas películas virtuais que podem ocupar um bom período de nossas noites.  Com tal técnica, pode-se recuperar e arquivar milhares de sonhos no decorrer de poucos anos. Até como exercício de memória tento decodificar aqui tal técnica.

A grande questão da recuperação da memória dos sonhos reside em fazer uma suave transição entre o sono e a vigília – o que certamente nenhum despertador contribui. Despertador desativado, procure acordar lentamente, sem fixar a atenção na sua realidade futura, condição física ou qualquer outro elemento que o tire da presente condição de “um ser despertando”. Procure não abrir os olhos e se abrir feche logo para manter intacta as condições de nossa “sala individual de projeções”. Manter os olhos fechados foca-nos de volta às imagens interiores que buscamos evocar. Procure, inclusive, não mudar de posição. Isso contribui para mantermos as mesmas condições do estado anterior.

Filme

Pouco a pouco, uma a uma, as imagens surgirão. Imagens do último sonho, trechos finais do último filme exibido pelo inconsciente. Freqüentemente ao revés, como quando retrocedemos um filme. Algumas imagens marcam mais que outras, quer por sua semelhança com a realidade ou sua tresloucada fantasia, impressionam e se fixam mais. Tente extrair o máximo de detalhes destes fragmentos que vieram à tona. Esgotadas todas as possibilidades, busque acomodar-se melhor na cama. Automaticamente, a próxima posição a ser adotada será a anterior à ultima que você dormia. Esse movimento de retorno lhe trará novas imagens do mesmo sonho ou outro anterior. Busque mais uma vez recordar todos os detalhes das imagens emergidas.

Só então acorde, abra os olhos e permita-se um movimento: o de trazer à mão, o mais rápido possível lápis e papel. Prepare-se para uma breve psicografia, descrevendo tudo que foi relembrado. Não deixe para depois o que pode ser escrito agora. Não é mergulhado em sua realidade cotidiana que se ampliam possibilidades de enriquecer o seu arquivo onírico. Experimente. O resultado pode ser no mínimo um bom exercício de memória ou literário. Pode auxiliar com informações “quentinhas”, diretamente do inconsciente, seu terapeuta ou homeopata.

Mais alguns detalhes, para concluir:
– manter papel e caneta na cabeceira da cama para possíveis despertares noturnos;
– procurar desenvolver a habilidade de escrever no escuro;
– utilizar-se de palavras-chave que possam servir de “isca” para pescar o grande peixe-sonho do mar do inconsciente no dia seguinte.

Resta-me desejar-lhe bons sonhos e boas lembranças. Ah, o livro “Sonhos Criativos”, de Patrícia Garfield é uma boa dica (1972, Nova Fronteira: Rio de Janeiro. http://www.patriciagarfield.com).

* Artigo originalmente publicado na revista Novos Rumos/Saúde, num 112, pg 07;
** Ben-Hur Dalla Porta é médico homeopata, ex-presidente e atual diretor científico da Liga Homeopática do Rio Grande do Sul (LHRS). E-mail: bdporta@uol.com.br. Endereço: Av. Praia de Belas, 2174/507. Telefone: (51) 32 33 93 81.

2 respostas em “Sonhos e homeopatia ou como lembrar dos sonhos

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