Produtos livres de parabeno – por quê?

Antes de tudo, é preciso esclarecer que em uma formulação farmacêutica, seja ela um cosmético, um produto de higiene, um produto de uso tópico ou mesmo de uso oral, a adição de um conservante ou preservante é necessária – salvo raras exceções (como soluções auto-preservantes, soluções com altos teores alcoólicos, ou ainda, em formulações com atividade anti-microbiana). Uma das grandes preocupações dos formuladores e farmacêuticos será a manutenção da estabilidade e da segurança de utilização de um produto, frente a todas as condições que este será submetido (e, com certeza, esse é um dos desafios da arte de formular).

Cada componente de uma formulação, seja ele um ativo ou mesmo um veículo, pode afetar a estabilidade do produto final, assim como os processos que envolvem sua fabricação, acondicionamento, utilização, transporte ou mesmo condições ambientais. Por esses motivos, os conservantes são necessários, mas o fato é que com o grande avanço da química e da tecnologia atual, existem sim, opções mais seguras e eficazes que a escolha de parabenos como tais.

Por isso, é sempre importante seguir à risca as recomendações de uso e de acondicionamento de suas fórmulas e produtos, assim como manipular e adquirir produtos de qualidade comprovada e certificada (dê à sua saúde a atenção que ela merece, não escolha ao acaso!). A utilização de sistemas preservantes adequados e validados, assim como o cumprimento de boas práticas de fabricação (BPF), são necessários para a conservação adequada de formulações e, além disso, de garantia da segurança de utilização das mesmas. Consulte sempre seu médico e seu farmacêutico de confiança e tire sempre todas as suas dúvidas.

Em geral, os preservantes são substâncias químicas que impedem, previnem ou retardam a deterioração de cosméticos, fármacos e alimentos, por ação de microrganismos. Entretanto, possuem atividade biológica e podem oferecer riscos à saúde do consumidor, estando entre os principais agentes causadores de dermatites.

Parabenos – quem são eles?

Os parabenos são preservantes antimicrobianos amplamente utilizados em diversos tipos de produtos de saúde, higiene pessoal, cosméticos, perfumes, alimentos e até mesmo em bebidas. Eles são uma das classes de preservantes mais utilizadas em cosméticos e produtos para higiene pessoal, presentes em mais de 87% dos cremes cosméticos, e em 99% dos cosméticos em geral. São quimicamente ésteres dos ácidos hidroibenzoico. Embora seu uso seja liberado pelo FDA e pela European Comission Health & Consumer Protection, diversos estudos já relataram que eles podem interferir na atividade estrogênica, reduzir a produção de espermatozóides e diminuir a produção de queratinócitos da pele.

Toxicologia dos Parabenos

É necessário que todos os dados toxicológicos sejam analisados pelas instituições, comissões e órgãos reguladores que determinem a segurança do uso e definem as concentrações máximas de determinados compostos em produtos, assim como pelos formuladores e profissionais, de maneira crítica, zelosa e, sobretudo, ética.

Estudos realizados em animais têm mostrado que os parabenos podem se acumular no organismo, de maneira similar a outros poluentes biocumulativos. Vários estudos demonstraram que os parabenos diminuíram a esparmatogênese de ratos machos e o encurtamento da cauda dos espermatozóides produzidos. Além disso, recentes descobertas destacaram a atividade hormonal, especificamente a atividade estrogênica dos parabenos, relacionada com o aumento de expressão do gene de receptores de progesterona ativado pelos parabenos. O estrogênio é o maior fator de crescimento e desenvolvimento de casos de câncer em seres humanos.

Ainda, outros estudos demonstraram que os parabenos podem estar associados ao aumento de adenocarcinomas. Embora não sejam considerados mutagênicos, estudos relataram que eles podem causar alterações cromossômicas. Shabir atribuiu ao metilparabeno, em 2004, a formação de adenocarcinomas e a capacidade destes em alterar a função reprodutiva de ratos.

Além disso, verificou-se que os parabenos podem sensibilizar a pele. Em um estudo de Handa e colaboradores (2006), concluiu-se que o metilparabeno poderia ser considerado seguro em concentrações adequadas, mas que este poderia provocar efeitos prejudiciais à pele humana quando exposta à luz do sol.

O metilparabeno diminuiu a habilidade proliferativa dos queratinócitos, causando danos celulares genéticos e nas estruturas do colágeno tipo IV, além de modificar os padrões da epiderme. Os resultados do estudo indicaram que através do uso de formulações que os contenham, podem influenciar no envelhecimento das células. Ainda, que eles podem causar dermatite de contato após a exposição cutânea, causando sensibilização quando aplicados em pele lesado.

O que fazer?

Concluímos que o uso de formulações que contenham parabenos, preservantes que embora sejam licenciados e avalizados por órgãos reguladores, podem ocasionar dermatites, sensibilizar a derme e, além disso, podem interferir no processo hormonal e estar associados ao aumento de adenocarcinomas. Contudo, deixamos claro que não questionamos a eficácia dos parabenos em relação a ação antimicrobiana destes, mas sim a segurança de sua utilização, visto que diversos estudos colocam em dúvida a mesma, relatando que estes podem apresentar diversas reações adversas e atividades que põem em risco a saúde da população.

O fato é que existem outras diversas alternativas de preservantes ou mesmo sistemas preservantes – as possibilidades são inúmeras e crescem cada vez mais com o avanço da química, da bioquímica, das engenharias, da ciência farmacêutica e da tecnologia atual. Portanto, não existe lógica ao optarmos por aqueles que nos deixam dúvidas quanto a sua elegibilidade. Prefira produtos que foram formulados pensando realmente em sua saúde, opte por produtos livres de parabenos!

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