O poder do Gengibre

O Gengibre, de nome cientifico Zingiber officinalis, é uma erva anual que cresce em solos arenosos e secos, desenvolve-se em climas tropicais e subtropicais, e tem sido largamente empregado na culinária como condimento, em bebidas e na medicina popular. A raiz é caracterizada pelo seu sabor picante e um pouco amargo. Gengirol é um extrato padronizado em 5% de Gingerol e 2,89% de 6-Gingerol, obtido através de um processo de concentração do extrato de gengibre em 5:1, que proporcionam efeitos benéficos ao organismo, sendo as principais para o controle de náuseas, na ação antioxidante, além de ser também um potente termogênico.

O Gengibre é constituído de 0,25 – 3,3% de óleo essencial, monoterpenos e serquiterpenos,[4] – 7,5% de princípios picantes como gingerois e shogaols e outros constituintes como 40 – 60% de amido, acido fosfatidico, lecitina, vitaminas e minerais.[5] O Gengirol possui como ativo o gingerol, que juntamente com seus derivados exercem efeitos inibitórios na síntese de prostaglandinas e leucotrienos através da supressão das enzimas prostaglandinas sintase e da 5-lipoxigenase.[7]

O 6-Gingerol e capaz de inibir a produção de prostaglandinas E2 e da interleucina- 1<, influenciando a resposta imunológica especifica mediata, podendo ser utilizado em doenças autoimunes e inflamações crônicas. Gengibre aumenta a saliva, bem como as secreções gástricas uteis na falta de apetite e absorção de nutrientes e, portanto, estimula a digestão, sendo particularmente útil em sub – ácidos gástricos. O gengibre contem enzimas, mais efetivas do que as do mamão, que melhoram a ação da vesícula biliar ao mesmo tempo protegem o fígado contra toxinas. O gengibre aumenta o tônus da musculatura e melhora o peristaltismo no intestino humano. [4] Gengirol é eficaz no auxilio a perda de peso por proporcionar efeito termogênico ao organismo. Os óleos essenciais do gengibre produzem calor ativando a circulação e otimizando a queima calórica.[5] A termogênese corresponde a energia na forma de calor gerada ao nível dos tecidos vivos.

Os termogênicos consomem maior quantidade de energia e calor do organismo, acelerando o metabolismo, aumentando assim a queima de gordura.[6] A atividade antioxidante de Gengirol se deve a presença de seus ativos gingerois, gingeronas e shogaois, sendo os gingerois o principal componente ativo identificado. [7] Náuseas e vômitos são respostas complexas que podem ocorrer independentemente, mas ambos envolvem uma via do sistema nervoso central a partir da área postrema e zona de gatilho quimiorreceptora na medula oblongata.

Uma vez ativada, a resposta gastrointestinal geralmente ocorre em hipotonicidade, hipoperistaltismo, hipersecreção, diminuição da motilidade do intestino delgado e ejeção do conteúdo do estomago e intestino delgado. [8] Gengirol é considerado anti-emetico devido sua ação farmacológica de seus princípios pungentes (Gingerois e shagaols) e óleos voláteis (monoterpenos e sesquiterpenos). Gengirol atua no trato gastrointestinal, aumentando o peristaltismo, evitando assim efeitos colaterais no sistema nervoso causado pela maioria dos antieméticos. [8]

Ação gastrointestinal

Quatro estudos em animais demonstraram o efeito anti–emetico de extratos alcoólicos do gengibre através dos shogaols e gingerois, e um destes estudos demonstrou a reversão do efeito inibitório da cisplatina no esvaziamento gástrico em ratos. [5]

Ação contra enjoos e náuseas de viagem

Foi realizado um estudo duplo cego randomizado placebo controlado onde foram investigados 13 voluntários com histórico de enjoo de viagem. Os voluntários ingeriram de 1-2 gramas de gengibre. Como resultado foi possível observar uma redução significativa de náuseas, taquigastria e vasopressina plasmatica.[5]

Ação contra enjoos e náuseas durante a gravidez

Em outro estudo, foi desenvolvido um duplo cego randomizado controlado com objetivo de comparação entre a eficácia do gengibre e a dimenidrinate no tratamento de náuseas e vômitos na gravidez. Participaram do estudo 170 mulheres grávidas com sintomas de náuseas e vômitos, onde foram dividas em dois grupos (A e B): Grupo A, ingeriram 0,500 g de gengibre 2 vezes / dia durante sete dias. O grupo A obteve melhores resultados nos 1° e 2° dias que o grupo B, entre o 3° e 7° dia não houve diferença significativa entre os dois grupos, mas o grupo apresentou sonolência em 77,6% contra 5,88% do grupo A. Com os resultados foi possível concluir que o gengibre é tão eficaz quanto o dimenidrinate, mas com menos efeitos colaterais.[5]

Ação antiinflamatória

Estudos In Vivo demonstraram que o extrato aquoso de gengibre a quente inibiu as atividades da ciclooxigenase e lipoxigenase no acido araquidônico. Os efeitos antiinflamatórios se devem a diminuição na formação de prostaglandinas e leucotrienos. Estes efeitos também foram detectados na diminuição do edema da pata de ratos com administração oral de extratos de gengibre. Também, foram isolados dois diterpenos dialdeidos do extrato de gengibre que inibem a 5-lipoxigenase humana In Vitro. O rizoma de gengibre produziu efeito antiinflamatório em ratos albinos com inflamação aguda e subaguda e demonstraram que os compostos de gengibre administrados em ratos tem efeito comparável a aspirina.[9]

Ação antioxidante

Foi desenvolvido um estudo onde foi utilizado óleo de soja refinado, sem adição de antioxidantes sintéticos e através do extrato seco de gengibre obtido um extrato etanólico de gengibre.[7] A atividade antioxidante foi determinada utilizando-se o método do radical livre DPPH (2,2-difenil-1-picril-hidrazila), descrito por Mensor et AL. [10] Foi preparada uma solução etanolica com concentração de 1 mg/ml de extrato de gengibre. A cada amostra desta solução (2,5 ml) foi adicionado 1 ml de solução de DPPH (0,3 mM) em diferentes concentrações (125, 100, 50, 25 e 10 Mg/ml). Após 30 minutos de reação a absorbância foi lida a 518 nm e convertida em porcentagem de atividade antioxidante (AA) usando a formula AA (%) = 100-{[(Abs amostra- Abs branco ) x 100] / Abs controle }. [7]

Um controle foi feito com 2,5 mL de etanol e 1 mL de DPPH (controle negativo) e um branco foi realizado para o extrato (2,5 mL) e 1 mL de etanol, para todas as concentrações. O extrato de gengibre foi aplicado ao óleo de soja em diferentes concentrações (0, 500, 1000, 1500, 2000 e 2500 mg / kg) com objetivo de avalia-lo quanto a sua estabilidade oxidativa. A concentração de extrato etanolico de gengibre considerada de maior eficiência contra a oxidação lipídica foi aquela que apresentou maior período de indução em horas.[7] Como resultado foi possível observar que o valor de EC50 obtido por regressão linear, para o extrato de gengibre, mostrou elevado coeficiente de determinação, que foi R2 = 0,9908. Os valores de atividade antioxidante máxima e EC50 atingidos pelo extrato de gengibre foram de 79,1% e 45,6 Mg/ml, respectivamente.[7] Foi possível determinar a porcentagem máxima de atividade antioxidante, por meio do método do radical livre DPPH, assim como a quantidade de compostos fenólicos totais, do extrato etanolico de gengibre, indicando a presença de atividade antioxidante do extrato estudado.[7]

Referências

1- AGUIAR, A.P.S.CAIRES, L.P. MAEKAWA, L.E. VALERA, M.C. KOGA-ITO, C.Y. Avaliação In Vitro da ação do extrato glicólico de gengibre sobre Candida albicans. Revista de Odontologia da Universidade Cidade de Sao Paulo. 2009 mai- ago; 21 (2): 144-9.
2- SAITO, M.T.I. Monografia Zingiberis Rhizoma (Gengibre). Curso de Fitoterapia Sobrafito. UNIFESP, 2008.
3- FARINHA, T.O. FONSECA, J.P. CUMAN, R.K.N. AMADO, C.A.B. Efeito do óleo essencial de gengibre (Zingiber officinale Roscoe) sobre quimiotaxia In Vivo. Universidade Estadual de Maringá/ Centro de Ciências da Saúde – Maringá – PR.
4- PAKRASHI, S.C. PAKRASHI, A. Ginger, A versatile healing herb. Vedams ebooks Pvt Ltd, 2003.
5- HARARI, T. Gengibre ajuda a perder a barriga. Fonte: http://www.mdemulher.abril.com.br Acesso em: 11/05/12.
6- CARDOSO, J. MARTINS, J. BENITES, J. CONTI, T. SOHN, V. Uso de alimentos termogênicos no tratamento da obesidade. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2010.
7- ANDREO, D. JORGE, N. Capacidade antioxidante e estabilidade oxidativa de Gengiber officinale. Departamento de Engenharia e Tecnologia de Alimentos, Universidade Estadual Paulista, SP, Brasil. Dezembro, 2010.
8- NANTHAKOMON, T. PONGROJPAW, D. The efficacy of ginger in prevention of post operative nausea and vomiting after major gynaecologic surgery. J. Med Assoc. Thai. 2006; 89 (supply 4): S130-6.
9- ELPO, E.R.S. NEGRELLE, R.R.B. Zingiber officinale Roscoe: Aspectos farmacológicos uma revisão. Visão Acadêmica, Curitiba, V.6, n.2, Jul – Dez/2005.
10- MENSOR, L.L. MENEZES, F.S. LEITAO, G.G. REIS, A.S. SANTOS, T.C. COUBE, C.S, et al. Screening of brazilian plant extracts for antioxidant activity by the use of DPPH free radical method. Phytother Res. 2001; 15 (2): 127-30.

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