Mel, Própolis e Aloe vera: alternativas naturais no tratamento da pele e cabelos!

Mel
O mel é utilizado como alimento  assim como matéria-prima terapêutica e cosmética há milênios. Um maravilhoso e rico fruto da natureza utilizado para nutrição, sempre foi apreciado por seu delicioso sabor, tornando-se muito reconhecido como ativo para cura e embelezamento no Egito antigo por Cleópatra, em suas misturas com leite, babosa e outros ingredientes naturais. Papiros cirúrgicos de Edwin Smith descreveram o tratamento efetuado por cirurgiões egípcios para feridas complicadas com uma combinação de mel e gordura (KNUTSON et al, 1981).

O mel tem como componentes principais a glicose, a frutose e a água (KNUTSON, 1981; RAHAL, 2003; CASTRO, 2004) e vem sendo utilizado assim como o açúcar no tratamento de feridas crônicas, infectadas e indolentes (LIPTAK, 1997). O mel é extremamente viscoso, higroscópico, inibe o crescimento de muitos microorganismos gram-positivos e gram-negativos, assim como fungos (CASTRO, 2004). As propriedades antibacterianas do mel foram associadas com a produção do peróxido de hidrogênio a partir da oxidação da glicose, baixo pH, hipertonacidade (alta concentração de ativos) e presença de inibina (LIPTAK, 1997; RAHAL, 2003; CASTRO, 2005; HEDLUND, 2007; PAVLETIC, 2010). Esta substância também é capaz de drenar e reter fluidos teciduais, facilitando o debridamento autolítico (HEDLUND, 2007; PAVLETIC, 2010).

Além disso, o mel também apresenta ação anti-inflamatória, ausência de efeitos adversos na cicatrização, redução do edema, quimiotaxia de macrófagos e a não aderência desses; assim, o mel desbrida as feridas rapidamente, substituindo as crostas por tecido de granulação, promove rápida epitelização, além de aliviar a dor, apresentar menor incidência de cicatriz hipertrófica e contratura, detendo baixo custo e sendo de fácil disponibilidade (RAHAL, 2003). O mel, além de promover a epitelização, também estimula a angiogênese, a granulação das feridas (CASTRO, 2004; HEDLUND, 2007), atuando como fonte nutritiva para as células e reduzindo os odores em geral (LIPTAK, 1997; HEDLUND, 2007).

Segundo RAHAL (2003), pode ocorrer variação na atividade antinbacteriana e na eficácia clínica dependendo da fonte da planta e do processamento sofrido pelo mel. O mel manuka, o mel floral e o mel lima têm sido assocaidos a uma melhor cicatrização do que o mel comercial e o mel de abelhas alimentadas com açúcar (LIPTAK, 1997). Segundo Schremi et al (2010), a redução do pH da ferida pelo uso do mel manuka pode levar a uma redução no tamanho desta. Por todas estas atividades e sua rica concentração de nutrientes, o mel revela-se como um excelente composto natural para hidratação, nutrição e recuperação da pele e dos cabelos.

Própolis
O própolis é constituido basicamente de resinas e bálsamo, cera de abelha, óleos voláteis e pólen coletados das plantas e modificado pelas abelhas operárias através de secreções próprias. Esta substância apresenta um bom efeito epitelizante e melhora a cicatrização pela redução da resposta inflamatória (RAHAL, 2003), sendo também utilizada como antimicrobiano, antioxidante, imunomodulador, hipotensor, cicatrizante, anestésico, anti-cancerígeno, anti-HIV e anti-cariogênico. Essas propriedades se encontram relacionadas com sua composição química, que apresenta, até o momento, cerca de 200 elementos já identificados, sendo os principais agrupados em: flavonóides, ácidos graxos, álcoois, aminoácidos, vitaminas e minerais (BARBOSA, 2009). Em estudo realizado por Segundo (2007), a utilização de tintura hidroalcoólica de própolis foi eficiente na aceleração da contração de feridas cutâneas induzidas em ratos.

A composição química da própolis varia de acordo com sua origem geográfica e com as diferenças genéticas das abelhas responsáveis por sua coleta. Estas variações acarretam mudanças em suas propriedades farmacológicas, que tendem a serem maiores em regiões tropicais devido à riqueza vegetal existente, e menores em regiões temperadas. A época da coleta é outro fator importante na determinação da composição química da própolis, pois em países como o Brasil esta ocorre o ano todo, gerando possíveis variações sazonais. Estes fatores acabam por interferir na eficácia terapêutica que é fornecida pela própolis (BARBOSA, 2009).

Aloe vera
O Aloe vera é uma planta da família das liliáceas, popularmente conhecida como “babosa”. A partir da extração de um gel mucilaginoso de sua folha, têm sido amplamente utilizado na área da saúde, indústria alimentícia e indústria de cosméticos (SEGUNDO, 2007). O Aloe vera possui atividade antibacteriana contra Pseudomonas aeruginosa, sendo muito utilizada no tratamente de queimaduras, e também inibe o crescimento de fungos. Estimula a replicação de fibroblastos e apresenta atividade anti-prostaglandina e anti-tromboxano (LIPTAK, 1997; HEDLUND, 2007; FAHIE & SHETTKO, 2007; PAVLETIC, 2010).

A alantoína e o acemannan (ou manose) são componentes do extrato de babosa, que podem ser utilizados pela via tópica (LIPTAK, 1997; FAHIE & SHETTKO, 2007). A alantoóma estimula a epitelização e o acemannan estimula os macrófagos a produzirem as citocinas IL-1 e TNF, os quais estimulam a angiogênese e a epitelização. O Aloe vera também apresenta propriedades anti-inflamatórias e analgésicas devido à presença de salicilatos; seu uso não é ideal durante a fase inflamatória da cicatrização (LIPTAK, 1997; SWAIN, 1997; HEDLUND, 2007; PAVLETIC, 2010).

A indústria cosmética vê o Aloe vera como base e fitocosmético para vários produtos de beleza, tais como cremes faciais e capilares, limpadores de pele (removedor de impurezas da pele), anti-rugas, fortalecedor do couro cabeludo e desodorantes. Ajuda a combater a caspa, previne contra as rugas hidratando peles ressecadas e flácidas e, aplicada como loção após a barba, é ótimo suavizante para a pele.

Referências
1) KNUTSON, RA; MERBITZ, LA; CREEKMORE, MA; SNIPES, HG. Use of sugar and povidone-iodine to enhance wound healing: five years experience. Southern Medical Journal, v 74, n 11, p 1329-1335, nov 1981.
2) RAHAL, SC; BRACARENSE, APFRL; TANAKA, CY; GRILLO, TP; LEITE, CAL. Utilização de própolis ou mel no tratamento de feridas limpas induzidas em ratos. Archives of Veterinary Science, v 8, n 1, p 61-67, 2003.
3) CASTRO, AU. Uso tópico do mel de abelha “apis mellifera”, da oxitetraciclina e da hidrocortisona, combinadas e isoladas, na reparação de feridas cutâneas, por segunda intenção, em coelhos. Universidade Federal de Viçosa. Viçosa, 2004.
4) LIPTAK, JM. An overview of the topical management of wounds. Australian Veterinary Journal, v 75, n 6, p 408-413, jun 1997.
5) HEDLUND, CS. Surgery of the integumentary system. In: FOSSUM, TW. Small animal surgery, 3 ed. Missouri: Mosby Elsevier, 2007. Cap 15, p 161-259.
6) PAVLETIC, MM. Atlas of small animal wound management and reconstructive surgery. 3 ed. Iowa:Wiley-Blackwell, 2010.
7) SCREMI, S; SZEIMIES, RM; KARRER, S; HEINLIN, J; LANDTHALER, M; BABILAS, P. The impact of the pH value of skin integrity and cutaneous wound healing. Journal of european academy of dermatology and venereology, v 24, n 4, p 373-378, April 2010.
8) SEGUNDO, AS et al. Influência do aloe vera e própolis na contração de feridas em dorso de ratos. Periodontia, v 7, n 1, p 23-28, mar 2007.
9) SWAIN, SF. Advances in wound healing in small animal practice: current status and lines of development. Veterinary Dermatology, v 8, n 4, p 249-257.

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